Afinal o que somos nós? Somos algo realmente, ou seria melhor dizer que nos tornaram, nos esculpiram, nos podaram e resultamos nisso que pensamos que somos? Existe liberdade? Não quero me aprofundar muito na questão filosófica, pois isso é assunto pra outro post, mas a questão é: as coisas ao nosso redor nos transformam profundamente, na verdade seria mais correto dizer que elas nos formam. Filhos de pais com boas condições financeiras se desenvolvem em uma realidade própria e tem características específicas da classe social [dos pais], crianças que vivem numa realidade pobre vão ser adultos bem diferentes deles. Mães evangélicas criam crianças evangélicas, ou tentam... Mas mesmo que as crianças não sigam exatamente os passos dos pais, isso está enraizado no seu crescimento, afinal, ele construiu seu mundo naquela realidade. Fizeram parte do seu desenvolvimento o medo (ou temor, tanto faz) de Deus, assim como a crença na fé, no caminho do sofrimento (afinal estamos falando das igrejas dos pobres e quer gente que sofre mais?),
da vida ser praticamente um pecado, onde você tem que aceitar que quase tudo na vida é pecado e deve seguir fielmente (a palavra não foi de propósito...rs) tudo que é imposto e se, por acaso, você começar a pensar criticamente no assunto e ter sua própria opinião, você está pecando também. Pensar vira pecado. Imagine uma criança que cresce nessa realidade mas não quer perpetuar isso na sua vida. Uma criança que queira ser ateu, ter outra religião diferente da evangélica, não aceitar passivamente o que lhe é ensinado, é homossexual ou qualquer comportamento que não condiz com o aprendido desde pequeno. Ele abandona a realidade que pra ele não é coerente e busca um novo caminho pra sua vida, mas algo de ruim acontece com ele, e o que ele faz? No mínimo se sente culpado, aquilo deve ter sido um castigo por seus atos contra o amor de Deus (ou algo similar), pode até voltar pra realidade que aprendeu quando criança, voltar pra igreja evangélica e reprimir o comportamento desviante da massa que iniciou sua fuga. Agora imagine isso num mundo capitalista, de propaganda massiva que, qua
ndo não vendem produtos tóxicos à saúde (cigarros, bebidas, McDonalds, Coca-Cola) vendem produtos que ninguém precisa (cremes que na formulação são bem parecidos, mas a marca X paga milhões pra uma atriz famosa fazer o comercial e a marca Y fala que é Passiflora, em vez de falar que é Maracujá, pra ficar mais chique e, consequentemente, maior o lucro, ou aparelhos não-profissionais de ginástica caros que não fazem absolutamente nada) afinal, propaganda serve para criar demanda de consumo porque, se o produto fosse bom e as pessoas quisessem comprar aquilo, eles não fariam propagandas, fariam comerciais informativos falando coerentemente das características do produto que, como falava uma amiga minha que vende trufas, o produto quando é bom se vende sozinho.
A criança gorda com problema no coração de tanto comer lixo industrializado (se for mulher: estrias e celulite pelos amados refrigerantes lights. Light pode!*) e com seus adorados pais colaborando pra esse aprendizado imbecilizado e acrítico. Vamos estrapolar mais um pouquinho. Voltamos à pergunta: o que somos nós? Bom, eu me definiria como um garoto alto, magro... perae... de todas as minhas características porque eu escolhi justamente essas? Será que eu escolhi mesmo? Alto, magro, cabelos lisos e sedosos, pele branca bonita e macia, roupas de marca/grife, cabelo impecável, academia 5x por semana. Esse sou eu? Esse é você? Esse é seu(sua) príncipe(princesa) encantado(a)? Acho que não, esse é o modelo social ideal que foi enfiado
goela abaixo sua vida inteira. Agora a segunda pergunta: Existe liberdade? Bom, existe duas possíveis opções para essa pergunta. A primeira é que sim! Pense sua anta! Pense criticamente e pense, pense, pense. Tente ser mais você mesmo, ser mais coerente. Construa seu modo de pensar, seja sincero com você mesmo, seja mais você mesmo. Essa opinião que você tem veio de onde? Você teve acesso a todos os fatos para poder analisar se sua opinião é correta? Você realmente pensaria assim se tivesse liberdade pra pensar? Ou simplesmente segue a multidão? A segunda opção é que não. Até mesmo esse post foi resultado de alguma influência social, podendo ser até mesmo fruto da indignação causada pela realidade absurda que vivemos. Não existe ação sem reação e, consequentemente, não existiria reação sem ação. Independente de qual resposta escolha, PENSE! Podemos causar uma mudança em nós mesmos, e isso já é um bom começo. Sonho viver em uma sociedade pensante, criativa, que aceita seus indivíduos como eles são e tirando deles o melhor que pode para o crescimento de todos. Enquanto isso não acontece continuo acordando num mundo que homem não chora e mulher é vítima, criança é burra e adulto é chato e ninguém consegue amar, porque, primeiramente, eles próprios se odeiam como pessoas e não fazem idéia do que procuram... Vamos arregaçar as mangas ;)
*Na revisão do texto que percebi: porque falar das estrias e celulites? Será que é mais importante que todo o mal e descontrole do organismo que esses alimentos causam? Ou será que estrias e celulites são mais estéticas?
da vida ser praticamente um pecado, onde você tem que aceitar que quase tudo na vida é pecado e deve seguir fielmente (a palavra não foi de propósito...rs) tudo que é imposto e se, por acaso, você começar a pensar criticamente no assunto e ter sua própria opinião, você está pecando também. Pensar vira pecado. Imagine uma criança que cresce nessa realidade mas não quer perpetuar isso na sua vida. Uma criança que queira ser ateu, ter outra religião diferente da evangélica, não aceitar passivamente o que lhe é ensinado, é homossexual ou qualquer comportamento que não condiz com o aprendido desde pequeno. Ele abandona a realidade que pra ele não é coerente e busca um novo caminho pra sua vida, mas algo de ruim acontece com ele, e o que ele faz? No mínimo se sente culpado, aquilo deve ter sido um castigo por seus atos contra o amor de Deus (ou algo similar), pode até voltar pra realidade que aprendeu quando criança, voltar pra igreja evangélica e reprimir o comportamento desviante da massa que iniciou sua fuga. Agora imagine isso num mundo capitalista, de propaganda massiva que, qua
ndo não vendem produtos tóxicos à saúde (cigarros, bebidas, McDonalds, Coca-Cola) vendem produtos que ninguém precisa (cremes que na formulação são bem parecidos, mas a marca X paga milhões pra uma atriz famosa fazer o comercial e a marca Y fala que é Passiflora, em vez de falar que é Maracujá, pra ficar mais chique e, consequentemente, maior o lucro, ou aparelhos não-profissionais de ginástica caros que não fazem absolutamente nada) afinal, propaganda serve para criar demanda de consumo porque, se o produto fosse bom e as pessoas quisessem comprar aquilo, eles não fariam propagandas, fariam comerciais informativos falando coerentemente das características do A criança gorda com problema no coração de tanto comer lixo industrializado (se for mulher: estrias e celulite pelos amados refrigerantes lights. Light pode!*) e com seus adorados pais colaborando pra esse aprendizado imbecilizado e acrítico. Vamos estrapolar mais um pouquinho. Voltamos à pergunta: o que somos nós? Bom, eu me definiria como um garoto alto, magro... perae... de todas as minhas características porque eu escolhi justamente essas? Será que eu escolhi mesmo? Alto, magro, cabelos lisos e sedosos, pele branca bonita e macia, roupas de marca/grife, cabelo impecável, academia 5x por semana. Esse sou eu? Esse é você? Esse é seu(sua) príncipe(princesa) encantado(a)? Acho que não, esse é o modelo social ideal que foi enfiado

Muito bom o blog. Apesar de não ler nada por inteiro, gostei dele. E esta falta de comentários? Seus visitantes são tímidos?
ResponderExcluirAbraço.