quarta-feira, 27 de maio de 2009

Viagens e Elefantinho

É incrível como eu viajo nas aulas de Filosofia, sempre viajei. Partindo do princípio dual de que nossa sociedade é evoluída e os que viveram no passado eram atrasados, bárbaros, tapados e antiquados que praticavam os mais absurdos e deliráveis atos, sempre saio das aulas achando que estou numa sociedade quase que pré-histórica, levando em consideração o quão desenvolvidos deveríamos ser e o quão toscos ainda somos. Para ser mais fiel ao sentimento de "os outros que viveram antes é que são idiotas", parece-me que fui transportado para uma realidade arcaica. Mas onde foi parar a sociedade evoluída em que eu deveria viver??? Até consigo figurar a realidade da atual população como um animalzinho passivo e apático, preso à correntes históricas e sem nenhuma vontade de conseguir liberdade. Infelizmente essa é a realidade das massas. Óbvio que alguns indivíduos lutam contra isso, mas a grande massa ainda tende a ser idiota e homogênea.


[Interessante observar: os antepassados falavam absurdos, acreditavam em coisas mais absurdas ainda, praticavam outros tantos de absurdos, mas ainda assim somos completamente dependente deles, das suas crenças e dos "outros tantos" de coisas que ainda não provamos serem absurdos]

Imagine a cena: aula de Filosofia, estudando idéias de Sartre (estudamos Nietzsche antes), especificamente do homem ser o único responsável pela sua subjetividade, anular tudo o que é imposto e vivermos integrando nosso ambiente, não apenas sendo um resultado alheio a nossa vontade e respeitando regras descabidas pré-estabelecidas à nossa existência. Estudávamos o famoso texto "O Existencialismo é um Humanismo", onde Sartre cita o fato de não existir essência que precede a existencia do indivíduo, ou seja, a subjetividade de uma pessoa é construída somente com sua vivência. O homem então seria o único responsável por sua subjetividade, teria que mostrar sua opinião e decidir sua vida. Ele constrói sua realidade, afinal deve ter opinião sobre o mundo.

Mesmo não concordando com todas as idéias de Sartre, fico imaginando um futuro onde olham nossa sociedade atual e pensam o quão idiotas éramos (mais ou menos como fazemos com os que vieram bem antes de nós), incapazes de pensar com a própria cabeça e decidir se continuamos ou não rolando a bola de neve que nossos pais deixaram pra nós. Uma sociedade em que a liberdade não é só uma palavra bonita que é defendida, mas é realmente aplicada. Uma sociedade plural, liberta, harmônica, diferente da massa unificada por grupos ideologistas lutando por nossa união [à eles].

Um comentário:

  1. Ora, o homem é um ser histórico... O homem de nosso tempo é esse qua habita o intervalo de suas grandezas: um passado que se esvai e um futuro que permanece uma incógnita. O presente está necessáriamente atrelado ao passado, assim como o futuro ao presente. A sociedade atual é tão pré-histórica quanto fora a sociedade que ficou para trás... a sociedade futura será tão pré-histórica na medida em que olharmos a longividade do planeta e da existência. Quanto a subjetividade...de fato, o homem é o único responsável pelos seus atos (segundo Sartre)isso devido ao fato de que para Sartre Deus não existe, assim sendo, o homem se ve sozinho, nadificado. "As almas são desertas porque não passa por elas senão elas mesmas".

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